Decidir sem certeza faz parte
Quem decide raramente tem certeza. Sobre agir com informação incompleta e corrigir rápido, em vez de esperar pela certeza.
"A dúvida é o preço da pureza" — a frase é de Sartre, e por muito tempo eu a li como um jogo de lógica. Hoje leio como descrição do meu trabalho.
Quem decide raramente tem certeza. E a certeza, quando chega, costuma chegar tarde — depois que a janela de decidir já passou. Então a escolha real quase nunca é entre o certo e o errado; é entre agir com informação incompleta, correndo o risco de errar, ou esperar pela certeza e pagar o preço da inação.
A pureza de quem nunca erra é a pureza de quem nunca decide. É confortável e é estéril. Quem assume responsabilidade abre mão dela: aceita conviver com a dúvida, agir mesmo assim e responder pelo resultado.
O que aprendi não foi a eliminar a dúvida — não dá. Foi a conviver com ela sem paralisar. Reúno a melhor informação que o tempo permite, decido, e fico atento para corrigir rápido se a realidade mostrar que errei. Decidir cedo e corrigir costuma ser melhor do que decidir tarde e acertar.
Dúvida não é fraqueza de quem decide. É o preço de estar em campo, em vez de assistir da arquibancada.
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